Neisseria
gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis são
consideradas juntas as doenças mais freqüentemente
relatadas nos Estados Unidos, com uma estimativa de mais
de cinco milhões de novas infecções
anualmente. O Centro de Controle da Doença (CDC)
relatou mais de 300.000 casos da infecção
por gonorréia e mais de 390.000 casos de infecção
por Clamidia em 19961,2. Ambos patógenos
são de particular interesse e preocupação
porque, na maioria dos países desenvolvidos, propagam-se
rapidamente entre jovens e, a maioria dos indivíduos
sexualmente ativos permanece assintomático tempo
suficiente para transmitir a infecção para
outros. Enquanto a maior parte das infecções
nos homens evolui rapidamente por produzir sintomas aparentes,
fazendo com que busquem tratamento, a incidência
de infecções assintomáticas nas mulheres
é bem maior e as bactérias não detectadas
desenvolvem sérias complicações como
a Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
e a infertilidade3. O número anual de
pacientes que visitam as clínicas com sintomatologia
por PID nos Estados Unidos ultrapassa os 2,5 milhões.
Mais de 250.000 mulheres são hospitalizadas todo
ano com mais de 100.000 procedimentos cirúrgicos
realizados devido ao PID4. Os custos diretos
e indiretos dos doentes com Clamidia excedem os 2,4 bilhões
de dólares por ano de acordo com vários
estudos5,6. Em resposta a isso, o CDC tem preconizado,
durante exames ginecológicos, o rastreamento de
rotina para os indivíduos sexualmente ativos e
jovens adolescentes assintomáticas. Sugere-se que
mulheres com idade entre 20 a 24 sejam também rastreadas,
principalmente aquelas que não utilizam contraceptivos
de barreira ou possui novos ou múltiplos parceiros7.
Infecção
por Clamidia
A
CT é um organismo gram negativo, com duas fases
em seu ciclo, uma elementar e outra reticular, com formas
distintas de infecção e reprodução13.
O genoma da CT é relativamente pequeno, com aproximadamente
1x106 pares de bases14. A infecção
forma um corpo elementar que não pode se dividir
e serve apenas para levar a infecção de
uma célula para a outra. Uma vez dentro da célula
hospedeira, os corpos elementares se agrupam formando
vacúolos para gerar formas reprodutíveis
de CT metabolicamente ativa. São os chamados corpos
reticulares. A replicação é inteiramente
dependente do ATP e acompanhada diretamente a divisão
binária dentro das inclusões citoplasmáticas,
produzindo nova geração de corpos elementares
que são liberados para infectar outras células.
A CT diferencia-se pela membrana de lipopolissacarídeo
gene-específico que serve como origem de antígenos
para produção de anticorpos específicos.
Os
métodos convencionais para a detecção
direta da CT em espécimes clínicos incluem
a coloração por Giemsa ou iodina seguida
de avaliação microscópica15
ou, uma técnica mais sensível de Ac conjugados
a fluoresceína (DFA)16. No entanto,
estes métodos possuem de 70 a 85% de sensibilidade
quando comparados com a técnica de cultura celular17.
O procedimento mais aceitável para a detecção
de Clamidia é a infecção de células
em MacCoy em cultura. Anticorpos conjugados a fluoresceína
são então usados para detectar corpos de
inclusões intracitoplasmáticas formados
por um elemento reprodutivo nas células infectadas18.
A cultura de células tem uma excelente sensibilidade
e especificidade, mas é método complexo,
caro e o resultado muito demorado. Os resultados geralmente
só estão disponíveis entre 48 a 72
horas após a inoculação19.
As técnicas enzimáticas são também
usadas para detectar antígenos17 de
CT e são pouco mais sensível e menos específico
que as técnicas de anticorpos fluorescentes direto20.
Os testes de ácidos nucléicos são
também disponíveis para a detecção
de variabilidade de cepas de Clamidia, incluindo o DNA
cromossomal, mRNA e o plasmídeo críptico.
Estes métodos variam em sensibilidade e especificidade,
mas em geral aproximam-se ou excedem a performance dos
métodos de cultura celular21,22,23.
Infecção
por Gonococos
Neisseria
gonorrhoeae são diplococos Gram negativos,
não móveis, que necessitam de meios complexos
para o seu crescimento. São bactérias aeróbicas
possuindo ótimo crescimento em temperaturas que
variam de 35 a 37ºC, preferencialmente na presença
de umidade e CO2. Diagnósticos presuntivos
da Neisseria gonorrhoeae são obtidos tradicionalmente
por isolamento do organismo em cultura de espécimes
ou utilizando a coloração de Gram para exame
morfológico. O diagnóstico definitivo pode
ser obtido com a positividade da oxidase e/ou catalase
na cultura. Confirmações adicionais dos
resultados incluem testes de degradação
do carboidrato, aglutinação e fermentação
do açúcar. Para os homens com uretrite sintomática,
este teste possui sensibilidade e especificidade de aproximadamente
95 a 99%, no entanto, a coloração de Gram
para os esfregaços endocervicais é bem menos
sensível8. Testes diretos para Neisseria
gonorrhoeae incluem a detecção de antígeno
e os testes dos ácidos nucléicos. O teste
enzyme linked immunoabsorbent tem se mostrado mais específico
e sensível que a coloração por Gram
para a detecção gonocócica na uretra
masculina, mas possui sensibilidade diminuída quando
aplicada para os espécimes endocervicais9,10.
Isto porque nos testes para a detecção dos
antígenos pode ocorrer reação cruzada
com Neisseria comensal e outras espécies11.
Por isso, este teste só deve ser usado para o diagnóstico
presuntivo12.
Recentemente,
a detecção direta do ácido nucléico
da Neisseria gonorrhoeae tem sido usada para avaliar
amostras clínicas. Este teste, realizado tanto
em espécimes uretrais como endocervicais, é
considerado como o mais específico e sensível
para a detecção da Neisseria gonorrhoeae
em populações de alto risco.