O
Teste de Papanicolaou
Há
mais de 50 anos a citologia oncológica vem sendo
reconhecida como importante e fundamental instrumento
para a identificação de células pré-neoplásicas
e neoplásicas do colo uterino. Como método
laboratorial ela auxilia no rastreamento de lesões
precursoras do câncer e nas variadas formas de neoplasia
maligna. Ela atua diretamente na identificação
de casos fatais bem como, diminui o impacto daquelas lesões
que potencialmente poderiam causar lesões irreversíveis.
Nos
países onde os programas de prevenção
de câncer de colo uterino, baseados no teste de
Papanicolaou, foram implantados e administrados de forma
contínua e disciplinada, os índices de prevalência
da doença diminuíram dramaticamente.
Portanto,
como método laboratorial, apesar de críticas
e limitações, efetivamente contribui para
o controle de câncer de colo uterino.
Apesar
dos méritos, existem contínuas e fundamentadas
críticas quanto a sensibilidade do método,
fator limitante que leva a quantidade significativa e
indesejável de casos falsos-negativos. Além
disso, há certa quantidade de casos com alterações
citopáticas de resolução diagnóstica
imprecisa, o que gera polêmica quanto a reprodutibilidade
do método sob determinadas circunstâncias.
Em
linhas gerais pode-se dizer:
Vantagens
do Método:
·
Redução de 43% da incidência de câncer
de colo uterino;
· Redução de 46% da mortalidade;
· Alta especificidade (97% a 100%);
· Baixo custo;
· Tolerável pelas pacientes;
· Fácil aplicação a grandes
populações
Desvantagens
do Método:
·
Baixa sensibilidade;
· Grande quantidade de casos insatisfatórios
e limitados por razões técnicas;
· Depende de treinamento de coleta, fixação
e preparo dos esfregaços
Por
que a Base-Líquida?
O
teste de Papanicolaou faz parte integrante das atividades
de rotina dos ambulatórios de ginecologia. Parte
de seu sucesso metodológico está na aceitação
de seus resultados pela classe médica e na confiança
gerada junto às pacientes. Apesar de sua íntima
participação na avaliação
das lesões de colo uterino, o preparado convencional
tem sofrido constantes críticas do meio científico
que esperam dele melhor desempenho diagnóstico.
Como qualquer método laboratorial, existem virtudes
e limitações que podem ser mais ou menos
explorados, aprimorando-se ou, substituindo-se, de acordo
com as possibilidades técnicas estudadas.
Recentemente,
o preparado convencional, base do teste de Papanicolaou,
vem sendo questionado pelo surgimento da metodologia de
base-líqüida, que se apresenta não
como substituta desse teste, mas sim, como um aprimoramento
técnico no preparo de amostras.
Origem
da Citologia de Base Líquida
Em
um primeiro momento, a citologia de base-líqüida
surgiu para atender às demandas de escrutínio
computadorizado. Para viabilizar a leitura das lâminas
pelos computadores, era necessário um preparado
que apresentasse um menor número de artefatos e
sobreposições. O preparado convencional,
dependendo da habilidade de quem colhia a amostra, poderia
ou não fornecer essa lâmina ideal. Assim,
os pesquisadores foram estimulados a pensarem em um método
alternativo para o preparado convencional, que eliminasse
o tanto quanto possível sobreposição
de células, os infiltrados inflamatórios,
as hemácias, os debris celulares e os artefatos
indesejáveis.
Citologia
de Monocamada?
A
citologia de base-líqüida, por sua apresentação
intencionalmente mais fina e de fundo mais limpo que aquele
do preparado convencional, ganhou dois sinônimos
bastante populares: "Citologia de monocamada"
e Citologia de camada fina". Todavia, esses
termos não refletem necessariamente, apesar dos
esforços para tanto, o resultado final do preparado,
posto que não se apresenta em monocamada e, também,
pode não ter camada fina. Dessa forma, os termos
"Citologia em Amostra Líqüida" ou
de "Citologia em Base-líqüida" são
mais pertinentes.
O
Líquido Fixador
O
potencial da citologia de base-líqüida está
nos esforços feitos para o desenvolvimento do líqüido
fixador, que preserva os elementos celulares adequadamente
e fornece a possibilidade de se fazer o preparo de novas
amostras. Com isso, evita-se que as pacientes sejam chamadas
para novas coletas. O líqüido pode estocar
amostras por longo tempo até que se avalie eventual
necessidade de uso do volume residual.
Potencial
de Uso da Citologia em Base-Líquida
Em
geral, o fixador é disponibilizado em alíquotas
que permitem a realização de um variado
número de lâminas adicionais. Além
disso, ele guarda ainda propriedades que possibilitam
que a amostra seja analisada por métodos de biologia
molecular, otimizando os recursos para a avaliação
de agentes infecciosos comuns no trato genital feminino,
relacionados ou não a carcinogênese, como
o HPV, CT e GC.
O
que a Citologia em Base-Líquida Agrega?
·
Oferece a possibilidade de maior transferência de
células para os preparados, além de preservar
mais células para novos preparados;
· Garante rápida e eficiente fixação,
preservando ao máximo a morfologia celular, permitindo
melhor adequação dos corantes;
· Elimina muco e hemácias;
· Permite pronta recuperação de DNA
e RNA para realização de testes biomoleculares.
Coleta
e a Citologia em Base-Líquida
Não
altera o princípio básico da coleta. Portanto,
não requer treinamento adicional dos profissionais
da área para uma atuação eficaz.
Usa-se uma única escova capaz de alcançar
ectocérvix e endocérvix simultaneamente,
sem prejuízo da representação da
junção escamo-colunar (JEC), zona sabidamente
importante para adequação da amostra.
Com
esse princípio, evita-se possíveis fatores
interferentes a qualidade da amostra:
· Representação inadequada da JEC;
· Fixação não-ótima,
excessiva ou inadequada;
· Preparo do esfregaço com hipocelulalridade
ou hipercelularidade;
· Outras limitações de qualidade
como esfregaço hemorrágico, ressecado, purulento,
etc.
Desempenho
Diagnósitco da Citologia de Base-Líquida
·
Qualidade de apresentação da lâmina
com fundo claro e melhor disposição das
células;
· Facilidade de observação individualizada
das células;
· Melhor preservação celular;
· Redução de casos falsos-negativos
em cerca de 20%;
· 40% de redução de casos insatisfatórios;
· 18% de redução de casos "satisfatórios
mas limitados";
· Redução estimada de 30% nos casos
de câncer de colo uterino;
· Maior sensibilidade na detecção
de lesões de baixo grau.
Outras
Aplicações do Método da Citologia
em Base-Líquida
Além
das análise morfológica a amostra em base-líqüida
pode ser submetida a:
·
Avaliação de ploidia (conteúdo de
DNA);
· Preparo de cell-blocks de impacto diagnóstico
e prognóstico dependendo da orientação
de pesquisa desejada: oncogenes, supressores de oncogenes,
por exemplo;
· Escrutínio automatizado;
· Estudo de linhagens celulares;
· Preparo de amostras citológicas pulmonares,
derrames cavitários, punções aspirativas
por agulha fina, etc.;
· Reações citoquímicas e imunocitoquímicas;
· Reflex test: uso com Captura Híbrida em
casos com diagnóstico citológico de ASCUS.
Custos
da Citologia em Base-Líquida
O
preparo de amostras citológicas em base-líqüida
está relacionado a procedimentos semiautomáticos
ou inteiramente automatizados. Embora com produtos finais
esteticamente excelentes, os custos desses procedimentos
são elevados para mercados emergentes, restringindo
seu uso e desestimulando a implantação.
O
SISTEMA DNA-CITOLIQ®
surge como um produto que agrega os princípios
básicos da citologia em base-líqüida
a um custo operacional reduzido e protocolo de preparo
rápido e facilmente reprodutível.