O
câncer cervical afeta mais de 400.000 mulheres anualmente
no mundo e, depois do tumor da mama, é o segundo neoplasma
das mulheres. Nos Estados Unidos, cerca de 12.200 novos casos
são diagnosticados todos o anos e aproximadamente 4.100
pacientes morrem por sua causa.
O
teste de Papanicolaou, conhecido a mais de 50 anos e a biologia
molecular, com a identificação do DNA-HPV, são
hoje realidades e de utilização clínica indiscutível.
Nos
últimos cinco anos, as pesquisas enfocaram qual o real
balanço entre a melhor sensibilidade e especificidade para
a prevenção efetiva do câncer da cérvix
uterina. Isso foi necessário, pois é grande o número
de pessoas que contrai o HPV em algum momento de sua vida, mas,
que na maior percentagem dos casos, o vírus desaparece
dos epitélios sem causar qualquer dano. Somente as infecções
que persistem, por um ano ou mais, são as que podem levar
às alterações celulares e ao câncer.
Por sua vez, é mais provável ser persistente a infecção
na mulher com 30 anos ou mais e essas mulheres devem ser monitoradas
mais cuidadosamente que aquelas sem o vírus ou outros sinais
da doença cervical.
Os
resultados desses estudos evidenciaram que em mulheres dessa faixa
etária, 30 anos ou mais, deve-se usar a associação
da citologia com o teste de DNA-HPV. Esse novo teste
conjunto, recebeu a denominação de DNA-PAP.
Para
um entendimento e estudo mais aprofundado sobre esse tema, aconselhamos
a leitura do trabalho selecionado: "Management
of women who test positive for high-risk types of human papillomavirus:
the HART study", pesquisa realizada em 11.085 mulheres
pelo Dr. Cuzick e seus colaboradores.
Essa
nova estratégia de rastreamento já era referida
pela American Cancer Society, em 2002, quando da publicação
da atualização do guia de prevenção
para esse tumor e, em março de 2003, após exaustiva
análise dos dados da literatura, o FDA, que já havia
aprovado o teste DNA-HPV para o seguimento das pacientes, de qualquer
faixa etária, com ASCUS, aprovou o DNA-PAP para uso clínico.
Por sua vez, o American College of Obstetricians and Gynecologists
revisou suas diretrizes para incluir o teste como parte do rastreamento
primário do câncer cervical.
Vale
salientar que a aprovação do FDA é para a
feitura da citologia, em meio convencional ou líquido,
e o teste de Captura Híbrida II® para a determinação
do DNA-HPV. Isso é de suma importância, pois, tal
lá como cá, a Captura Híbrida II® é
o único teste clínico aprovado pelos órgãos
governamentais (FDA e ANVISA) para o diagnóstico do HPV.
As outras técnicas biomoleculares não são
recomendáveis para esse fim, pois não há
evidência científica que comprove a sua efetiva utilidade
clínica.
Dessa
forma, o DNA-PAP, combinando a Captura Híbrida II®,
que detecta os 13 tipos de HPV mais comumente associados ao câncer,
com a citologia, nos auxilia a determinar, com exatidão,
as mulheres de real risco para o desenvolvimento do câncer
cervical e que devem ser seguidas com rigor. O DNA-PAP traz certeza
aos médicos, pacientes e fontes pagadoras de serviços
médicos que NEGATIVO realmente significa NEGATIVO.
Foram
várias as manifestações do meio científico
com relação a esse assunto. O Dr. Ralph M. Richart,
professor do Departamento de Patologia da Columbia University
disse: Apesar da citologia encontrar as alterações
celulares que podem levar ao câncer cervical, testar o DNA-HPV
detecta o culpado real, o HPV, que é a causa da doença
de alto grau e do câncer cervical. Com esta extensão
da combinação de testes, estamos agora em posição
única para identificar as mulheres que não tenham
o HPV e, conseqüentemente, de risco muito baixo para desenvolver
o câncer ou seus precursores no futuro próximo. Isto
dá aos médicos e às mulheres novo nível
de confiança no resultado de um rastreamento negativo e,
ainda, mais eficiência e efetividade aos programas de rastreamento.
Por
sua vez, a Dra. Maureen Killackey, diretora do Programa Regional
de Bassett, em Cooperstown, NY, mencionou O DNA-PAP fornece
informações adicionais e, mulheres com baixo risco,
podem ser selecionadas para rastreamentos menos freqüentes,
de acordo com os novos guias de conduta. Com o teste de HPV eu
posso ficar mais confiante, assim como, minhas pacientes, pois
o resultado negativo do rastreamento é clinicamente significante
para avaliar o risco. Nós nunca tivemos essa certeza antes.
"Oferecer
o teste DNA-PAP às nossas pacientes é uma extensão
natural de nosso compromisso em fornecer alta qualidade para o
serviço de saúde disponível. Se uma mulher
tem um Papanicolaou normal, mas apresenta resultado positivo para
os tipos HPV de alto risco, nós agora sabemos que ela necessita
ser monitorada cuidadosamente - assegurando-se de que a doença
cervical ou o câncer não sejam perdidos. Para uma
mulher sem os tipos de alto risco do HPV, podemos dizer, com aproximadamente
100% de confiança, que ela não tem câncer
cervical e que é altamente improvável que o desenvolva
antes de seu próximo exame disse o Dr. Mark DeFrancesco,
chefe médico do Women's Health Connecticut. Esse centro
é um dos maiores nos Estados Unidos na atenção
à mulher, integrado por mais de 150 médicos e outros
40 profissionais ligados à saúde. É ainda
responsável pelo atendimento de cerca de 375.000 mulheres/ano.
O
DNA-PAP já tem grande aceitação nos Estados
Unidos. O reembolso já é feito pela maior parte
dos seguros e convênios de saúde. Em entidades de
assistência como o Kaiser Permanente e em grandes laboratórios
como o Quest, seu uso já é prática rotineira.
Em
nosso país, a realização do DNA-PAP é
facilitada pela existência do sistema citológico
em meio-líquido denominado DNA-CITOLIQ® que representa
a evolução do preparado convencional quanto à
forma de coleta e preservação celular, além
de aumentar a sensibilidade diagnóstica do método
citológico. Com o coletor UCM, único meio disponível
em nosso país para esse fim, pode-se, com uma só
coleta, realizar tanto a citologia em meio líquido como
a Captura Híbrida II® para os vírus de alto
risco. Com isso, fica garantida a efetividade do exame de rastreamento
do câncer cervical dentro dos novos preceitos científicos.
Ressalte-se que com a mesma coleta, outros testes diagnósticos,
como para a determinação do DNA da Clamídia
e do Gonococos, também podem ser realizados.
Apesar
desses dados, ficava difícil para o ginecologista saber
qual a conduta a ser tomada na análise desses testes em
conjunto. Não havia qualquer dúvida quando do encontro
de concordância diagnóstica entre os dois testes,
citologia e Captura Híbrida II®. Mas, para as discordâncias,
sugeriram-se diversas propostas para o seguimento.
Com
a finalidade de trazer melhor entendimento a essa matéria,
realizou-se workshop, com dez dos melhores pesquisadores americanos
que atuam na área, patrocinado pelo National Institutes
of Health-National Cancer Institute, American Society of Colposocpy
and Cervical Pathology (ASCCP) e pelo American Cancer Society.
O trabalho intitulado "Interim
Guidance for the Use of Human Papillomavirus DNA Testing as an
Adjunct to Cervical Cytology for Screening", (Obstet
Gynecol 2004;103:304-9), traz as recomendações desse
painel. Aconselhamos sua leitura, pois, com certeza, ela trará
conhecimentos úteis para o dia-a-dia.
Finalmente,
acreditamos que o novo teste, o DNA-PAP, traz benefício
ímpar para as mulheres com 30 anos ou mais. Todavia, o
assunto ainda não está encerrado. Novos conhecimentos
e discussões ocorrerão em futuro próximo,
principalmente no que respeita aos marcadores de evolução
para a infecção pelo HPV.
Gerson
Botacini das Dôres