Nomenclatura
Brasileira para Laudos de Citopatologia Cervical Uterina
Rio de Janeiro / Novembro de 2002
TIPO
DA AMOSTRA
Citologia
convencional
Citologia
em meio líquido
Nota
explicativa: Com a introdução do meio líquido,
em suas diferentes apresentações, mesmo
que ainda não totalmente difundido mas já
sendo utilizado, é indispensável que seja
informado qual a forma de preparado, uma vez que a adequacidade
do material é avaliada de forma diversa para cada
meio. É de fundamental importância ainda
que o laboratório informe, em caso de meio líquido,
qual sistema foi usado.
AVALIAÇÃO
PRÉ-ANALÍTICA Amostra rejeitada por:
Ausência
ou erro de identificação da lâmina
e / ou frasco
Identificação
da lâmina e / ou frasco não coincidente
com a do formulário
Lâmina
danificada ou ausente
Causas
alheias ao laboratório (especificar)
Outras
causas (especificar)
Nota
explicativa: Este conceito foi introduzido como uma inovação,
visando estabelecer a diferença de rejeição
por causas alheias e anteriores à chegada da lâmina
ao laboratório, daquelas devidas à colheita,
colaboração ou análise microscópica.
Deverá ser identificada, de preferência,
no momento da entrada e registro. Contudo, deverá
ser o médico responsável pelo exame quem
fará a anotação da rejeição.
ADEQUABILIDADE
DA AMOSTRA
Satisfatória
Insatisfatória
(especificar)
Nota
explicativa: O item "Satisfatória mas limitada
por" foi mantido, diferentemente do Sistema Bethesda
2001 que o exclui pelo entendimento de que as amostras
ambíguas em seu contexto devam ser assinaladas,
permitindo-se assim fornecer alguma avaliação
diagnóstica mas com anotação de fatores
limitantes para a prevenção.
DIAGNÓSTICO
DESCRITIVO
Dentro
dos limites da normalidade no material examinado
Alterações
celulares benignas
Atipias
celulares
Nota
explicativa: O acréscimo da expressão "no
material examinado" visa estabelecer de forma clara
e inequívoca o aspecto do momento do exame. Aqui
também ocorre uma diferença importante com
o Sistema Bethesda 2001, no qual foi excluída categoria
Alterações Celulares Benignas. Tal manutenção
deve-se ao entendimento de que os fatores que motivaram
tal exclusão não se aplicam à realidade
brasileira.
ALTERAÇÕES
CELULARES BENIGNAS
Inflamação
Reparação
Metaplasia
escamosa imatura
Atrofia
com inflamação
Radiação
Outras
(especificar)
Nota
explicativa: Em relação a nomenclatura anterior,
a única mudança ocorre pela introdução
da palavra "imatura", buscando caracterizar
que é esta a aparesentação que deve
ser considerada como alteração. Assim sendo,
a Metaplasia matura, com sua diferenciação
já definida, não deve ser considerada como
inflamação e, eventualmente, nem necessita
ser citada no laudo.
ATIPIAS
CELULARES
Células
epiteliais atípicas de significado indeterminado
Escamosas
Glandulares
Possivelmente
não neoplásicas
Não
se pode afastar lesão de alto grau
De
origem indefinida
Nota
Explicativa: Esta é mais uma inovação
do sistema brasileiro, criando-se uma caixa separada para
todas as atipias de significado indeterminado e, mais
ainda, a categoria "De origem indefinida" destinada
àquelas situações em que não
se pode estabelecer com clareza a origem da célula
atípica. Deve-se observar que foi excluída
a expressão "provavelmente reativa",
a qual foi substituída pela "possivelmente
não neoplásicas" e a introdução
"não se pode afastar lesão de alto
grau". Com isso pretende-se dar verdadeira ênfase
ao achado de lesões de natureza neoplásica.
Em
Células Escamosas
Lesão
intra-epitelial de baixo grau
(compreendendo efeito citopático do HPV e neoplasia
intra-epitelial cervical grau I)
Lesão
intra-epitelial de alto grau
(compreendendo neoplasias intra-epiteliais cervicais
graus II e III)
Lesão
intra-epitelial de alto grau, não podendo excluir
invasão
Carcinoma
epidermóide invasor
Nota
explicativa: Foi adotada a definição de
lesão intra-epitelial em substituição
ao termo neoplasia, além de estabelecer dois níveis
( baixo e alto graus ), separando as lesões com
potencial morfológico de progressão daquelas
mais relacionadas com o efeito citopático viral,
com potencial regressivo ou de manutenção.
Foi incluída a possibilidade diagnóstica
de suspeição de micro-invasão. Foi
ainda enfaticamente recomendado que sejam evitados os
acréscimos de outras nomenclaturas e classificações,
além das duas já contempladas, evitando-se
a perpetuação de termos eventualmente já
abolidos ou em desuso os quais nada contribuem para o
esclarecimento do diagnóstico.
Em
Células Glandulares
Adenocarcinoma
in situ
Adenocarcinoma
invasor
Cervical
Endometrial
Sem
outras especificações
Outras
neoplasias malignas: (especificar)
Presença
de células endometriais
(na pós-menopausa ou acima de 40 anos, quando
fora do período menstrual)
Nota
explicativa: Deve-se observar a exclusão total
dos acrônimos ( ASCUS e AGUS ), os quais tem definitivamente
desaconselhados seu uso, devendo sempre constar por extenso
os diagnósticos e notas. As células endometriais
somente necessitam ser mencionadas quando sua presença
possa ter significado clínico-patológico.
MICROBIOLOGIA
Lactobacillus
sp
Bacilos
supra-citoplasmáticos (sugestivo de Gardnerella/Mobiluncus)
Outros
bacilos
Cocos
Candida
sp
Trichomonas
vaginalis
Sugestivo
de Chlamydia sp
Actinomyces
sp
Efeito
citopático compatível com vírus
do grupo Herpes
Outros
(especificar)
Nota
explicativa: Foram mantidas as informações
de Chlamydia, cocos e bacilos por considerar-se a oportunidade,
por vezes única, em um país continental
e com grandes dificuldades geográficas e econômicas,
de estabelecer uma terapêutica anti-microbiana baseada
exclusivamente no exame preventivo. A introdução
da expressão " Bacilos supracitoplasmáticos"
busca indicar a apresentação morfológica
de agentes microbianos de difícil distinção
pelo exame corado e fixado pela técnica citológica.