Introdução
à Citopatologia
O
exame morfológico de células descamadas por raspados
ou escovadas da mucosa cervical permite a identificação
das principais lesões, sendo o teste de Papanicolaou um
método que há mais de 50 anos é parte integrante
das atividades de rotina dos ambulatórios de ginecologia.
Nas
últimas duas décadas, diversos estudos têm
apontado para índices não-ideais de sensibilidade
do preparado convencional, baseado no teste de Papanicolaou, com
estudo microscópico de lâminas contendo esfregaços
de amostras de raspados vaginal e uterino, sendo que algumas importantes
revisões recentes relatam sensibilidade da ordem de 50%
a 60%.
As
etapas essenciais do exame citológico são a colheita,
a preservação da amostra, o preparo das lâminas
e a interpretação diagnóstica.
Recentemente,
houve a introdução da metodologia em base-líquida,
com a imediata colocação das amostras de raspados
ou escovados em frascos contendo novos líquidos fixadores,
sendo que as lâminas citológicas são preparadas
no próprio laboratório de análise. Este procedimento
não deve alterar a essência do estudo citomorfológico,
baseado em critérios há muito conhecidos dos citopatologistas
de todo o mundo.
A
citologia em base-líquida, portanto, tem se apresentado
não como substituta do preparado convencional, mas sim,
como um aprimoramento do teste de Papanicolaou para o estudo microscópico
e a identificação de lesões do colo uterino
seguindo padrões morfológicos.
Papel
na Prevenção de Câncer do Colo
Como
já foi mencionado, há mais de 50 anos a citologia
oncótica tem sido reconhecida como importante e fundamental
instrumento para a identificação de células
pré-neoplásicas e neoplásicas do colo uterino.
Como método laboratorial, auxilia no rastreamento de lesões
precursoras do câncer e nas variadas formas de neoplasia
maligna, identificando casos potencialmente fatais e diminuindo
o impacto daquelas lesões que poderiam ser irreversíveis.
Nos
países onde os programas de prevenção de
câncer de colo uterino, baseados no teste de Papanicolaou,
foram implantados e administrados de forma contínua e disciplinada,
os índices de prevalência da doença diminuíram
dramaticamente.
Portanto,
como método de rastreamento, o teste de Papanicolaou apesar
de críticas e limitações, efetivamente contribui
para o controle de câncer de colo uterino.
Apesar
dos méritos, existem contínuas e fundamentadas críticas
quanto à sua sensibilidade, que geram uma quantidade significativa
e indesejável de casos falso-negativos. Além disso,
há certa quantidade de casos com alterações
citomorfológicas de resolução diagnóstica
imprecisa, o que leva a polêmicas quanto à reprodutibilidade
do método sob determinadas circunstâncias.
A
Citologia em Base-Líquida
A
citologia em base-líquida tem sido considerada, nos últimos
anos, importante alternativa para o ganho de sensibilidade do
exame citopatológico cérvico-vaginal, especialmente
pela possibilidade de menor perda de células no preparo
da amostra e da melhor distribuição celular.
Por
sua apresentação intencionalmente mais fina e de
fundo mais limpo que o preparado convencional, ganhou dois sinônimos
bastante populares: "Citologia de monocamada" ou "Citologia
de camada fina". Como em certo número de casos a lâmina
não se apresenta em monocamada e, apesar dos esforços,
muitas áreas podem não se mostrar em camada fina,
esses termos não refletem necessariamente o resultado final
do preparado. Por isso, se acredita que sejam mais pertinentes
as denominações "Citologia em Amostra Líquida"
ou "Citologia em Base-Líquida".
Adicionalmente,
caso o meio líquido no qual as células são
fixadas preserve a reatividade de proteínas, de ácidos
nucléicos e de eventuais patógenos, oferecerá
material suficiente para realizar, além do estudo citomorfológico
(com maiores índices de adequação e de acurácia
que os atuais), a pesquisa em citopatologia molecular como hibridizações
moleculares in situ, testes imunocitoquímicos e determinações
de ácidos nucléicos por métodos de biologia
molecular como a Captura Híbrida®.