A
Chlamydia trachomatis (CT), em países desenvolvidos,
é considerada uma das bactérias de transmissão
sexual mais comum. Estima-se que a incidência anual
nos Estados Unidos é de quatro milhões,
com aumento da infecção em mulheres jovens
e sexualmente ativas. A infecção por CT
é responsável por mais da metade dos casos
de uretrite não gonocócica (UNG)1,2.
Esta alta prevalência se deve aos casos de infecções
assintomáticas, tanto em homens como em mulheres,
particularmente nas mulheres jovens onde o tratamento
não é efetuado durante o estágio
precoce podendo causar sérias complicações,
como a doença inflamatória pélvica
(PID) e a infertilidade. Nos Estados Unidos, são
mais de 2,5 milhões o número anual de pacientes
que visitam as clínicas com sintomatologia de PID;
por anos, mais de 250.000 mulheres são hospitalizadas
e cerca de 100.000 procedimentos cirúrgicos são
realizados devido ao PID3,4. De acordo com
estudos recentes, os custos diretos e indiretos dos doentes
com CT excedem 2,4 bilhões de dólares por
ano5,6. Em resposta a esses números,
o CDC recomenda, durante o exame ginecológico,
o teste de rotina para CT nas jovens sexualmente ativas
e assintomáticas e, ainda, sugere que mulheres
entre 20 a 24 anos sejam também escrutinadas, particularmente
se não usam contraceptivos de barreira ou tenham
novos ou múltiplos parceiros sexuais7.
A
CT é um organismo gram negativo, com duas fases
em seu ciclo, uma elementar e outra reticular, com formas
distintas de infecção e reprodução8.
O genoma da CT é relativamente pequeno, com aproximadamente
1x106 pares de bases10. A infecção
forma um corpo elementar que não pode se dividir
e serve apenas para levar a infecção de
uma célula para a outra. Uma vez dentro da célula
hospedeira, os corpos elementares se agrupam formando
vacúolos para gerar formas reprodutíveis
de CT metabolicamente ativa. São os chamados corpos
reticulares. A replicação é inteiramente
dependente do ATP9 e acompanhada diretamente
a divisão binária dentro das inclusões
citoplasmáticas, produzindo nova geração
de corpos elementares que são liberados para infectar
outras células. A CT diferencia-se pela membrana
de lipopolissacarídeo gene-específico que
serve como origem de antígenos para produção
de anticorpos específicos.
Os
métodos convencionais para a detecção
direta da CT em espécimes clínicos incluem
a coloração por Giemsa ou iodina seguida
de avaliação microscópica11
ou, uma técnica mais sensível de Ac conjugados
a fluoresceína (DFA)12. No entanto,
estes métodos possuem de 70 a 85% de sensibilidade
quando comparados com a técnica de cultura celular1.
O procedimento mais aceitável para a detecção
de Clamidia é a infecção de células
em MacCoy em cultura. Anticorpos conjugados a fluoresceína
são então usados para detectar corpos de
inclusões intracitoplasmáticos formados
por um elemento reprodutivo nas células infectadas13.
A cultura de células tem uma excelente sensibilidade
e especificidade, mas é método complexo,
caro e o resultado muito demorado. Os resultados geralmente
só estão disponíveis entre 48 a 72
horas após a inoculação14.
As técnicas enzimáticas são também
usadas para detectar antígenos de CT1
e são pouco mais sensíveis e menos específicas
que as técnicas de anticorpos fluorescentes direto15.
Os testes de ácidos nucléicos são
também disponíveis para a detecção
de variabilidade de cepas de Clamidia, incluindo o DNA
cromossomal, mRNA e o plasmídeo críptico.
Estes métodos variam em sensibilidade e especificidade,
mas em geral aproximam-se ou excedem a performance dos
métodos de cultura celular16,17,18.